(Por falar em reciclagem…)

(Reciclar é o que está a dar)
Ajudo como posso…
Sou um defensor do Meio Ambiente.
Evito ter electrodomésticos ligados se não estão a ser utilizados.
Desligo as televisões efectivamente, em vez de ficarem em stand-by durante a noite.
Não aprecio desperdícios e faço a minha reciclagem. Tanto quanto possível. Até no trabalho.
Vou juntando aqui e ali copos de plástico que uso para beber água (para não ter necessidade deles arranjei uma garrafinha que encho sempre que preciso), copos mais pequeninos da máquina-de-café e invólucros dos bolos e chocolates da máquina-de-venda-automática.
O problema é que costumava andar sempre com uma malinha de ombro (tão maricas…), uma pochette vá(!), e agora, como temos de andar de casaco por causa do frio e da chuva, não me tem apetecido trazê-la.
Até aqui tudo bem, o que trazia na mala, cabe nos bolsos, mas assim também não posso colocar lá nada a fim de levar para fora daqui.
Por “nada” entende-se material para reciclar. Porque aqui no emprego, reciclagem é mesmo para esquecer. São molhos de papel mal usados directamente para o lixo, copos e mais copos sem verem a luz salvadora de uma possível segunda vida como objectos reciclados.
Vai daí que eu, sem me lembrar de arranjar um saquinho para facilitar o transporte, resolvo levar tudo na mão em busca de um qualquer ecoponto na cidade.
O meu caro colega vê-me naqueles preparos e diz-me:
“- Epá, por que é que tens isso aí na mesa?”
“- Vou levar estas coisas para a reciclagem.” – retorqui eu.
“- Está mas é calado! Põe isso tudo no lixo, pá!” – mandou vir ele.
“- Mas quais lixo quais carapuças! Temos é de reciclar. O Planeta agradece.” – contrapus.
Sai para a rua motivado em concluir o meu desígnio verde. No entanto, as palavras do moço começaram a martelar na minha mente.
À medida que percorria a calçada, de plásticos na mão, em direcção à paragem do autocarro, sentia pesados e reprovadores olhares sobre a minha pessoa.
“Hihihi!! Que toino!”
“Onde vai aquele tipo com aquilo?!”
“Olha aquele tolinho de lixo na mão…”
“Mas será que ele não vê os caixotes de lixo por onde passa??”
Todavia eu estava determinado em levar tudo para reciclar e não iria desistir facilmente.
Veio o transporte público de cor amarela e sentei-me lá atrás, como de costume. Para descargo de consciência, escondi as caixas e copos (umas dentro das outras) debaixo do casaco e descansei um pouco.
O pior estaria, porém, para vir.
Quando o bus alcançou a minha paragem de destino, já eu não me lembrava do meu objectivo principal. Levantei-me, andei parte do corredor e só me lembrei mal as caixas, invólucros, colher de plástico, copos e copinhos se estatelavam com estrondo no chão. Mantive a calma, mas todos os passageiros se voltaram para trás em semblantes mesclados de reprovação, incompreensão e espanto.
“Porco!”, “Maluco!”, “Vandâlo!”, “Demente!”, de certo pensaram.
E o lixo só parou perto da porta da saída graças ao pé de uma senhora que constatou entre dentes:
“- São só copos…”
Que figurinha a minha!
É difícil e árdua a vida de um reciclador.
Uma cruz pesada sobre as nossas costas.
Não obstante, prefiro passar vergonhas e contribuir para um Mundo melhor e mais verde, do que ir com a corrente e ajudar a destruir o que ainda resta de saudável na Casa a que chamamos TERRA.
P.S.: Dias se passaram e mais outra pilha de material reciclável em cima da minha mesa. Fui pedir um saco de plástico a outro departamento e perguntaram para o que queria. Cometi o erro de dizer “é só para o lixo”, quando deveria ter dito que era para levar umas coisinhas para casa. Parece que ninguém entende mesmo o intuito de salvar o Planeta Azul.
P.S.2: Reciclem, minha gente, reciclem!
P.S.3: Sim, ainda vamos a tempo.

(Momentos ecológicos do… gimbrinhas)
VN:F [1.7.5_995]
Rating: 6.0/10 (2 votes cast)
VN:F [1.7.5_995]