O Metro

Quinta-feira, 8 Fevereiro 2007 por gimbras

O Metro é o único transporte público que costumo utilizar. “Costumo”, aqui é mesmo apelido, porque deveria ter colocado a palavra “abuso”. Isto é, na verdade a frase deveria ser: “O Metro é o único transporte público que abuso utilizar”.

Mas como a frase não teria sentido, não a utilizarei. Digo, abuso, porque diariamente faço 4 viagens de metro. Ida-Volta, Ida-Volta.

E, durante essas viagens são milhares as vidas com as quais a minha se cruza.

São milhares as pequenas conversas no ar, são dezenas de milhares os olhares que se cruzam, são centenas de milhar de coisas diferentes que há para aprender, contar e conhecer. Mas que nunca aprendo, nunca oiço, nunca conheço.

Longe de mim querer saber da vida dos meus vizinhos utilizadores do Metro. O que acontece é que não deixo de olhar para quem me rodeia. Estudo expressões, vejo sorrisos, imagino os porquês.

Tento descobrir por que é que aquela senhora vai tão triste, ou então penso na concentração daquele homem que lê o seu jornal, ou observo como revê os apontamentos a jovem universitária que viaja a caminho de mais um exame.

Tal como o Metro, a Vida às vezes pára, por uns momentos. Uns saiem, outros entram, uns mesmo a tempo, as portas a encerrar…

Quem fica para trás, é esquecido, porque, embora parando momentaneamente, a Vida, como o Metro, tem um trilho a seguir, até o último destino. À velocidade de um comboio.

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