Os deuses devem estar loucos

Quinta-feira, 24 Dezembro 2009 por gimbras

A exemplo do que já tinha sucedido noutras partes do País, a região Oeste foi violentamente afectada por um temporal daqueles.

De viagem para um Natal junto com a família gimbrática, o vosso queridinho gimbrinhas viu evidências de uma valente tempestade nessa zona de Portugal.

Eram outdoors completamente despedaçados – cujas armações em ferro se apresentavam quebradas como se fossem meros palitos -, sinais de trânsito desparecidos, semáforos caídos e muitas árvores desfeitas.

Pior do que essas aparências foram as notícias de muitas casas sem luz nem água, negócios arruinados e outros sustos do género.

(Cá em casa foi-se o telefone fixo, deu de frosques a TV por cabo, e uma das redes de telemóveis deve ter ido de férias… :S Quando fui depositar a reciclagem… não encontrei o ecoponto azul… tinha… voado para trás.)

Não vai ser um Natal simpático para essas pessoas, nem tão pouco para os meritosos trabalhadores municipais que tentam recompôr os estragos o mais rapidamente possível.

Mesmo assim, há esperança! Até houve quem dissesse que, lá em cima, alguém considerou que o que estava cá em baixo já estava velho e era bom que fosse renovado e reconstruído.

Não deixem de acreditar, o meu pensamento está convosco.
Desde que haja saúde e vontade tudo se resolve!

Clima do... gimbrinhas?
(Clima do… gimbrinhas?)
P.S.: Notei, a caminho de onde estou…, maior cuidado na condução por parte de muita gente. É véspera de Natal, têm consciência que querem estar com os seus, sem tristezas a lamentar.

P.S.2: No entanto, ainda há quem se esqueça… vi um acidente na estrada. Choque frontal numa ultrapassagem. Ainda há muitos incautos… Felizmente, não haviam feridos.

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Gimbrinhas, o menino teimoso, e os seus dois croquetes

Terça-feira, 13 Outubro 2009 por gimbras

Gimbrinhas, o menino teimoso, e os seus dois croquetes

Gimbrinhas era um menino pequenino, muito novinho. Mal chegava com a cabeça à mesa da sala de jantar.

Um belo dia, houve um aniversário qualquer. Já não se sabe bem se era o do menino, ou de outra pessoa qualquer, mas era de certeza de alguém do seu seio familiar.

O menino olhou para a mesa.

Ofereceram-se um salgadinho chamado croquete. Era a primeira vez que o vira.

Teimoso como sempre, disse logo que não.
“- Não como, não gosto, não quero!”
“- Mas olha que é bom, gimbrinhas! Não sejas casmurro!”

“- Não como, não gosto, não quero!”
“- Pronto. Mais fica para os outros!”

Os graúdos viraram as costas e o rapazinho ficou a olhar para a mesa. O olhar sendo levado, sempre em direcção ao pratinho dos salgadinhos onde se encontravam os croquetes.

O aspecto estaladiço, a forma apetitosa não lhe permitiam desviar a atenção… O cheiro, aquele aroma poderoso, começou a entranhar-se nas suas narinas. A água a crescer na sua boca…

O pobre mocinho lutou e lutou mas… não resistiu mais. PIMBAS! Lá roubou um à socapa, como quem não quer a coisa, certificando-se de que ninguém via.

Provou e deliciou-se.
Deleite crocante e intenso, a derreter-se na sua boca. Uau! E sacou logo outro de seguida, só para ter a certeza de que sabia mesmo bem!

O tal de croquete passara, naquele momento, a ser um dos prazeres da sua vida.
Que menino teimoso!

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Primeiro Aniversário do Sobrinho de Gimbras Bonifácio

Quinta-feira, 8 Outubro 2009 por gimbras

OK. Tu nasceste no dia 8 de Outubro de 2008.
Tudo bem. Eu escrevi-te uma carta um mês depois, para te acolher a este mundo.

Está certo. Eu disse a toda a gente que jamais seria um tio babado. “Bah! Eu nem gosto de bebés! Cheiram a fraldil!!!”
Admito. Eras pequeno e parecias frágil, ao princípio.

Tudo mudou. Cresceste. Reagiste ao meio que te rodeava. Começaste a olhar à tua volta. Observava-te, à medida que me ia habituando a ser chamado de tio… Ficaste ainda maiorzinho, cada vez mais interagias com o que encontravas à tua frente… era impressionante!

Aproximei-me.
Peguei-te ao colo.
Olhaste-me nos olhos.

Fiquei surpreso, surpreendido. Como podias tu, tão pequeno, tão bebé, mirar-me como se soubesses quem eu era?

Estarrecido. Tive essa sensação quando quiseste sair do colo do teu pai à procura do meu.

Maravilhado. Foi como fiquei quando, com a tua mão pequenina, me tocaste na face, fazendo-me um carinho. Senti-me amado, parte de algo, de uma coisa que já não poderia descrever, que me deixara sem palavras pela primeira vez na vida.

Feliz. Fizeste-me sentir dessa maneira ao demonstrares que sentias saudades minhas quando fui almoçar à casa dos teus pais. Querias à força toda ir connosco para a mesa e encostaste a tua cabecinha contra mim, bateste-me nos braços com as tuas mãozinhas, riste-te para mim.

Estupedificado, assim fiquei. Há duas semanas, deste os primeiros passinhos. Este fim-de-semana abri os braços e andaste na minha direcção, focando o meu abraço. No outro dia, ao acordares viste-me só a mim e sorriste com essas covinhas maravilhosas nas tuas bochechas doces.

Apaixonado, estou sim. Completa e totalmente apaixonado por ti, meu sobrinho lindo.

Sê feliz, que contes muitos aninhos e que cumpras todos os teus sonhos.

Parabéns, Feliz Primeiro Aniversário!!

P.S.: E raios(!!!)… confesso… até tem uma certa piada esta coisada de ser tio!
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Perdoa-me… porque pequei!

Quinta-feira, 8 Outubro 2009 por gimbras

Ela estava ali. Tão quente e apetitosa. A olhar para mim, como que me chamando sem dizer palavra. Sedutora, apetecível, provocadora…

Tentei resistir. Não devia, não podia! Que género de homem seria para me deixar levar pelos prazeres?! A razão acima de tudo, ora bolas!

Mas ela foi-me levando, doce, docinha, fofa, fofinha… tão irresistível!

Embora a cabeça dissesse “pára, gimbras, pára! Nem penses nisso!!”, o corpo ganhou vida própria… os meus pés avançaram… as mãos aproximaram-se…

Senti água na boca, a língua gulosa já me humidificava os lábios de tamanho desejo…

Não queria, lutei contra a vontade, essa imensa vontade que me corrompia e que me deixava louco, louquinho… Contudo, o fogo, ai… o fogo percorria todo o meu ser… estava difícil de controlar…

Senti-a quente, convidativa, chamativa… vibrante!

Quis passar-lhe com a língua, tocar-lhe, devorá-la! Não pude mais! Comi-a toda, ali mesmo na mesa da cozinha. Que delícia, que sabor, que intensidade!

Estou arrependido. Nunca o deveria ter feito. Perdoa-me, porque pequei!!

Desculpa-me sobrinho querido, por ter comido a tua papa toda! Ai meu Deus, e que papa! Papinha Cerelac!

Papa Cerelac

P.S.: Parabéns pelo teu 1º Aniversário!
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O chasso velho do meu primo

Terça-feira, 6 Outubro 2009 por gimbras

Tempo agora para falar do meu primo. Gente fina, verdadeiro companheiro, um gajo com quem sempre podemos contar para tudo: gargalhadas, saídas à noite, conversas parvas e até alguns desabafos (as mulheres dão cabo da cabeça a qualquer santo!).

Diz-se que família não se escolhe, amigos sim, mas o rapaz é mesmo mais que um primo, é um grande amigo! Como (quase) todos os homens de barba rija (por acaso, é giro que ele é chamado à atenção quando anda com ela por fazer… a barba, não a… hein?! Esqueçam…) o gajo curte os carrinhos. Curtir é pouco para o descrever. Ele baba-se mesmo. (Noutro dia, ia partindo o traseiro quando escorreguei na baba. O meu, não o dele. A dele, não a minha. Confusos? Eu também…)

O moço é tão, tão, mas tão apaixonado pelas viaturas que, na Sexta-feira passada, quando fomos a uma loja de brinquedos ver uns triciclos para eu oferecer ao meu sobrinho (comemora o seu 1º aniversário no próximo dia 8 de Outubro), fez questão de me aconselhar sobre tudo.
“- Epá, oh gimbras… já viste esse triciclo, isso não presta para nada! Essas rodas são fracas, não têm aderência! Aqui, vê lá este. Tem rodas de borracha. É mais seguro nas curvas a alta velocidade…”; “Oh gimbrinhas, estás maluco é? Isso não tem estabilidade nenhuma, pah!”; “E o conforto lombar no assento?”; “Não estás a ver bem, isso não tem estilo nenhum.”; “Esse triciclo não é resistente.”… Chegou ao cúmulo de ensaiar um test-drive entre os dois triciclos que chegaram à “escolha final”… só para ver como ele é aficcionado. Pior, pior era chamar lá um mecânico para ele analisar o veículo antes da compra, ou então, esperar pela análise da revista Turbo, ou ainda ver o programa de carros no canal Discovery à espera de uma verdadeira reportagem sobre os melhores triciclos.

Ele gostar de automóveis, gosta… a cena é que o dinheiro está caro… e o puto não tem guita para comprar carros novinhos. Vêm sempre em segunda mão, de maneiras que apanha sempre com um chasso a cair de podre. Nos carros dele tudo chia, tudo cai, tudo funciona mal, tudo precisa de reparação. Se hoje muda o radiador, amanhã precisa de trocar da correia-de-distribuição. Se amanhã reparar o vidro eléctrico do lado do passageiro, daqui a uns dias falhar-lhe-ão os limpa-pára-brisas.

Não admira, pois, quando eu vi estas fotos tivesse exclamado: “Ah! O meu primo vai adorar este carro, é inquebrável, é indestrutível. É o carro perfeito para ele! Até lembra os carros dele…”.

O chasso velho do meu primo

O chasso velho do meu primo

De certeza, que este, não chia, não…
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Nasci escritor…

Quinta-feira, 10 Setembro 2009 por gimbras

Nasci escritor...

O meu sobrinho tem apenas dez meses e já quer mexer em tudo. Livros, revistas, papéis, garrafas, garfos, facas, óculos, vassouras, esfregonas, computadores, chaves, etc.

Pega no comando e aponta-o para a televisão com o dedo indicador em posição de carregar nos botões, imitando os graúdos.

Tinha lá um bloco de notas quis logo mexer, puxando pela caneta que estava enclipada (presa) ao papel. Logo lhe fiz a vontade… e não é que o pequenino se pôs a jeito para começar a rabiscar?

Valha-me a querida santinha. É mesmo verdade que, hoje em dia, os putos já vêm com o curso tirado, logo à nascença.

Numa conversa recente, lembrei-me de algo parecido.

Há por aí um rapazinho que adora escrever. As letras brotam-lhe das pontas dos dedos com uma dinâmica que nem para o teclado olha.

De caneta em punho é capaz de escrever de um fôlego. Impressionou bastas vezes o irmão: “Como é que escreves isso tudo de uma só vez? Eu demoro tanto!”, “Oh Mãe, espreitei à porta da sala do meu irmão e ele passou a aula inteira a tirar apontamentos!”, “Deves gastar muitas canetas a escrever dessa maneira”, “Oh chaval, tu escreves bué!”.

Na verdade, esse puto ainda nem sabia ler ou escrever, já se entretia ele a passar textos e textos (duma revista ou publicação qualquer) à mão tentando copiar e imitar o desenho e formato das letras.

Passados uns anos, arregaçou as mangas e soltou cá para fora dois livrinhos muito simples, muito básicos, mas cheios de histórias e um pouco de humor. Ainda estão lá em casa, num caderno envelhecido.

Quando se apaixonou na escola, até poemas inventou inspirado pela sua musa… o problema é que, ninguém sabe como, foram parar dentro de um livro da mãe, que depois o emprestou a uma amiga…

“- Encontrei aqui uns poemas, escritos à mão, num papel dentro do livro…”
“- Hmmm?”

“- Alguém apaixonado… e muito romântico!”
“- Só pode ter sido o meu filho!”

“- Eheheh! Quem me dera um poeta assim.”
“- Ahahah!”

Mais anos se passaram e o rapaz começou a escrever num blog. Publicou diversos textos, emocionando-se a ele e à família a quem mostrou o que escrevera.

Um dia, o meu sobrinho, que tem apenas dez meses e que mexe em tudo, viu o meu caderno e caneta e quis logo mexer. Exclamei a todos que ele queria escrever e rabiscar o meu papel todo. A minha tia rematou, de pronto:
“- Ainda vai ser assim como o tio dele! ”
“- Assim como?”

“- Escritor… Escritor como o seu tio!”

Só podia ser assim.
Nasci para ser escritor.

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Meio Ano de Simpatia

Quarta-feira, 8 Abril 2009 por gimbras
Logo que nasceu,
Todo o mundo percebeu.

De pequeno se mostrou,
Simpático se confirmou.

Cedo o menino amei,
Rápido pelo tempo passei.

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O rapaz já morde

Terça-feira, 31 Março 2009 por gimbras

Atenção: anda por aí um tal de sobrinho de um sacana chamado gimbras a quem já lhe nasceram dois dentinhos. O mocinho de dentaria aguçada faz tremer de medo os bifinhos mais suculentos. O McDonald’s que se prepare que o rapaz parece ter apetite de gigante.

O tio gimbras visitou o seu queridíssimo sobrinho na passada sexta-feira. O jovem (o tio, não o sobrinho) encontrava-se cansado do exaustivo emprego que tem, ainda assim reuniu forças para ir ver o menino (o sobrinho, não o tio).

Gimbrinhas lá foi a casa de seu irmão, leve e fresco como a Primavera. Tocou à campainha e a porta não abriu. Voltou a tocar e a porta não abriu. Repetiu o gesto umas dez vezes e só quando uma vizinha saiu do prédio lá pôde ele entrar.

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Como te conheci, Avô

Segunda-feira, 23 Março 2009 por gimbras

Não conheci, na verdadeira acepção da palavra, o meu Avô materno. Só me recordo dele já velhote e doente.

Tenho uma memória fantástica, capaz até de me lembrar do meu berço (sem exageros), mas só guardei imagens de o ver duas ou três vezes em pé.

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